Muitos donos de empresa já passaram por isso: uma reunião animada, uma proposta com vários slides, um projeto que começa com entusiasmo e, meses depois, ninguém usa o resultado. Com IA o risco é ainda maior, porque o assunto é novo, o vocabulário é confuso e é fácil vender promessa. Escolher bem o parceiro é a decisão que mais pesa no resultado, e dá para fazer isso com critérios simples.

Por que tantos projetos de IA não saem do papel

Raramente o motivo é a tecnologia. Os padrões que mais se repetem são outros:

  • Começar pela ferramenta, não pelo problema. “Vamos colocar IA na empresa” não é um objetivo. “Reduzir de 3 dias para 1 dia o tempo de gerar propostas” é.
  • Escopo grande demais. Projetos que tentam resolver tudo de uma vez demoram, estouram o orçamento e perdem patrocínio interno.
  • Falta de integração. Uma IA que não conversa com o ERP, o CRM ou o WhatsApp exige trabalho manual e acaba abandonada.
  • Ninguém dono do resultado. Sem alguém na empresa responsável e sem métrica definida, o projeto vira “um experimento”.
  • Entrega única, sem acompanhamento. Sistemas de IA precisam de ajuste depois que entram em uso real.

Um bom parceiro ajuda a evitar cada um desses pontos antes de escrever a primeira linha de código.

Sete perguntas para fazer na primeira conversa

  1. “Que problema do meu negócio vamos resolver primeiro, e como vamos medir?” Se a resposta for vaga, desconfie. Um bom parceiro quer entender seus processos, números e gargalos antes de propor solução.
  2. “Como é o plano de implantação?” Procure etapas claras: diagnóstico, piloto, ajustes, expansão. Cronogramas que prometem tudo pronto de uma vez costumam esconder risco.
  3. “Quem vai acompanhar meu projeto de ponta a ponta?” Você precisa de um responsável nomeado, com senioridade, que responda pelo projeto do início ao fim, e não de um revezamento de pessoas desconhecidas.
  4. “Como vocês se comunicam durante o projeto?” Bons sinais: prévia do que será entregue antes de ser construído, reuniões de acompanhamento regulares, relatórios por e-mail ou painel e ambiente de homologação para você testar antes de ir para produção.
  5. “E a minha integração com os sistemas que já uso?” O parceiro deve saber conectar ERP, CRM, planilhas, e-mail e WhatsApp, e explicar como.
  6. “Como ficam meus dados, a LGPD e a propriedade do código?” A resposta deve estar em contrato: confidencialidade, acesso restrito, cessão do que foi desenvolvido para você.
  7. “O que acontece depois da entrega?” Suporte, monitoramento e evolução precisam ter formato definido.

Sinais de alerta

  • Promessas absolutas: “vamos dobrar seu faturamento”, “100% automático”. Resultados reais dependem do processo, e honestidade sobre limites é sinal de maturidade.
  • Cases sem detalhes ou números que ninguém pode confirmar. Peça para entender o problema, a solução e como o resultado foi medido.
  • Proposta igual para qualquer cliente. Se o escopo não menciona nada específico do seu negócio, foi copiada.
  • Nenhuma etapa de diagnóstico. Orçar sem entender o processo é chute.
  • Dependência total do fornecedor. Se você não recebe código, documentação e acessos, está preso.
  • Foco na tecnologia da moda. A conversa deve ser sobre processo, dado e resultado, não sobre qual modelo é o mais novo.

Como comparar propostas

Ao receber duas ou três propostas, evite compará-las apenas pelo preço. Monte uma tabela simples com estes critérios:

  • Clareza do objetivo e da métrica de sucesso.
  • Escopo do piloto: o que será entregue em produção, e não apenas demonstrado.
  • Prazo: pilotos realistas costumam levar de 30 a 60 dias, dependendo da complexidade e da disponibilidade de dados.
  • Modelo de comunicação e governança: reuniões, relatórios, homologação.
  • Integrações previstas.
  • Condições contratuais: propriedade, confidencialidade, SLA, saída.
  • Custo total: implantação mais custo recorrente de acompanhamento e de uso de ferramentas.

Uma proposta mais barata que não inclui integração nem acompanhamento pode sair bem mais cara depois.

Tamanho do parceiro: o que realmente importa

Não existe resposta única entre uma grande consultoria, uma empresa especializada e um profissional independente. O que importa é a combinação de senioridade, responsabilidade e capacidade de montar a equipe certa para o seu projeto. Um modelo que funciona bem para PMEs é ter um responsável sênior que conduz o projeto de ponta a ponta e, conforme a necessidade, reúne profissionais remotos especializados (por exemplo, integração de sistemas, dados ou interface). Assim você paga pelo que o projeto exige, sem sustentar estrutura ociosa. Pergunte ao fornecedor como ele trabalha e quem de fato executa.

Referências e transparência

Peça para conversar com clientes anteriores quando possível e, se o fornecedor não puder citar nomes por confidencialidade, peça que descreva o problema, a solução e como o resultado foi medido. Transparência sobre o que deu errado em projetos passados também é um bom indicador de maturidade.

Faça um teste antes de se comprometer

A forma mais segura de avaliar um parceiro é vê-lo trabalhar. Combine um piloto com escopo curto, entregas definidas e critérios de decisão no final: ampliar, ajustar ou encerrar. Durante o piloto, observe se as reuniões acontecem, se os relatórios chegam, se o que foi mostrado na prévia é o que aparece no ambiente de testes e se as dúvidas são respondidas com clareza. Esses sinais dizem mais do que qualquer apresentação comercial.

Por fim, prepare o seu lado: indique uma pessoa interna que conheça o processo, separe acessos e dados com antecedência e defina quem aprova entregas. Os projetos que dão certo são parcerias, e a qualidade da sua participação pesa quase tanto quanto a do fornecedor.

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